sábado, 15 de dezembro de 2018

Em defesa da vida, da família e da fé



O Lutador, em seu nascimento, a 25 de novembro de 1928, recebeu a alcunha de “Bonus miles Christi”, o bom soldado de Cristo. Era uma época de grandes embates com as forças contrárias à Igreja católica, essa oposição era formada pelo tripé: maçons, espíritas e protestantes. Vestindo a “camisa” de seu tempo, o Jornal O Lutador nasceu e cresceu no clima da apologética. Acreditava-se mais no confronto que no diálogo.
O Concílio Vaticano II, grande divisor de águas na caminhada da Igreja, superou a estreita visão da cristandade medieval e abriu-se para um diálogo com o mundo moderno, com as ciências, com outros cristãos assumindo uma postura mais ecumênica e dialogal. O Lutador, aos poucos também foi-se abrindo, superando a postura apologética. Em seu desenvolvimento assumiu a defesa da fé, aprimorando o debate teológico em torno das grandes questões da Igreja.
É preciso dizer, que seu grande amor à Igreja, por vezes o fez pecar, por excesso. Talvez, em certos momentos, tenha pensado tanto com a cabeça em Roma, que não foi capaz de ver as sementes do Evangelho que frutificavam na Igreja latinoamericana na defesa dos pobres e excluídos. Mas, se assumiu certas posturas, talvez equivocadas, foi por excesso de zelo e por grande amor à Igreja e à sua doutrina.
Em nossos dias, O Lutador segue seu caminho. Procura ser uma luz para iluminar a caminhada de nossas comunidades e de nossas famílias. Fomenta a defesa da vida em sintonia com a Igreja, pela ação consciente, comprometida e testemunhadora de tantos leigos e leigas que levam a sério seu batismo e o seguimento a Jesus Cristo. Agora, no formato de Revista procura ser uma ferramenta de evangelização nas mãos do povo de Deus.
Em sua longa trajetória através dos tempos, O Lutador aprendeu a observar os rumos da história. E, com pesar, vê que na multidão dos que se dizem crentes, quer católicos ou protestantes, poucos trazem consigo traços de verdadeiro cristão. Apesar de grande prática religiosa com cultos, missas, celebrações, shows e programas religiosos no rádio e na TV, a grande maioria corre apenas atrás de uma bênção, uma cura, um milagre ou ainda um retorno financeiro. A religião parece reduzida a um “toma lá, dá cá”. “Se o Senhor me der o que eu desejo, eu faço esse sacrifício...” ou “faço essa oferta, porque o Senhor é obrigado a dar muito mais...”
No entanto, o coração está longe. A fé não se traduz em obras, em gestos de misericórdia. Uma religião mais de casca, apenas um verniz de católico ou evangélico, mas que não assume, na vida, as atitudes de opções de Jesus. Isto se estende também para os mais entendidos e estudados, pois a contradição não se resume aos leigos. O contratestemunho atinge também o clero, e os pastores, em seus vários escalões. Alguns parecem optar mais por seus privilégios pessoais sob a alegação de defesa de uma aparente ortodoxia. Assemelham-se mais ao levita ou ao sacerdote, que deixam o caído à beira da estrada... Jesus nos chama a ser bons samaritanos.
Nos anos 60 e 70º, muitos católicos disseram ter dado um passo a mais em sua conversão: trocaram a arma de fogo pela bíblia. Isso foi fundamental para a diminuição da violência. Hoje vemos católicos e evangélicos apostando na força das armas e da violência. O ódio está mais forte que o amor, a intolerância impede a prática da misericórdia. Fazem um caminho contrário ao de Jesus nos Evangelhos.
Certo de que é pelos frutos que se conhece a árvore, O Lutador segue sua luta em defesa da vida, da família e da fé, em todas as circunstâncias. Consciente de que hoje, não basta ser um “bonus miles Christi”, precisamos ser bons samaritamos como Cristo, em nossa cidade, no Brasil e no mundo. Afinal, como o Papa Francisco nos recorda, “a misericórdia é a chave do Reino”. E isso é prá começo de conversa, nestes 90 anos.

Denilson Mariano

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